Histórias do crime contra a fauna silvestre

Os delitos contra a floresta e fauna silvestre podem ser melhor compreendidos em suas complexidades e efeitos desastrosos através de histórias e estudos de caso.

Gostaríamos de compartilhar algumas dessas histórias com você, de forma que você tenha uma idéia melhor do que estamos tentando impedir e quão crucial é o seu apoio.

Esperamos que estas histórias chamem a atenção para a importância do papel dos cidadãos e funcionários do governo que anonimamente denunciam estes crimes e, sempre que possível, nos ajude ou ajude os órgãos encarregados pelo cumprimento da lei a preveni-los.

 

Rhino - South Africa - Elephant Action LeagueRINOCERONTE

Os rinocerontes já foram abundantes em toda a África e Ásia, com uma população mundial aproximada de 500.000 no início do século XX. No entanto, apesar dos esforços de conservação, a caça ilegal está aumentando dramaticamente, empurrando os rinocerontes remanescentes para cada vez mais perto da extinção. A população mundial caiu para 70.000 em 1970 e apenas 29.000 em estado silvestre em 2013 (com cerca de 25.000 na África e no resto da Ásia).

Na África do Sul, lar de 83% dos rinocerontes da África e de 73% de todos os rinocerontes selvagens do mundo, em 2015, os caçadores furtivos mataram 1.175 rinocerontes por seus chifres. Apreciado por seu status, bem como por seu suposto valor medicinal, o chifre do rinoceronte moído é vendido na Ásia, especialmente na China e Vietnã, como uma cura para tudo, a preços de até 100.000 dólares por quilograma. A caça ilegal de rinoceronte está aumentando em todo o continente africano, embora seja difícil avaliar as perdas já que os Estados que possuem rinocerontes não publicam regularmente estatísticas de caça furtiva. A caça furtiva é uma séria ameaça também para as populações menores de rinocerontes da Ásia (Índia, Sumatra, Java).

 

by Elephant Action LeagueELEFANTE

Os elefantes estão entre os animais selvagens mais explorados da história da humanidade e, provavelmente, nenhum outro “produto” da vida silvestre como o marfim influenciou tanto a fortuna ou o infortúnio de um continente inteiro. O marfim foi procurado pelos indianos, romanos, árabes, persas, chineses e, mais tarde, pelos portugueses, espanhóis, holandeses e o império británico. O marfim facilitou e financiou a escravidão nos séculos XVIII e XIX e foi um grande incentivo econômico para a exploração colonial da África. Hoje o marfim é uma boa fonte de financiamento para rebeldes armados e terroristas em toda a África, da Somália aos países da África central e ocidental.

Alguns números são suficientes para descrever a tragédia dos elefantes na África:

  • 27 milhões elefantes no início do século XIX
  • 5 milhões no início do século XX
  • 1,3 milhões de elefantes em 1981
  • 600.000 em 1990 (quando a proibição internacional sobre o comércio de marfim é implementada
  • Cerca de 450.000 atualmente (35-40.000 elefantes mortos a cada ano)

 

A razão mais importante para este holocausto do elefante é a demanda do marfim, inicialmente do ocidente e agora da Ásia. Inadvertido e desconhecido para o público em geral, o holocausto do elefante africano continua, apesar da proibição internacional sobre o comércio de marfim.

 

wildleaks-backgroundLEÃO

O leão é a mais recente espécie massacrada para o comércio insaciável e ilegal de animais silvestres para o mercado medicinal asiático. Como os tigres na Ásia se tornam mais escassos e a demanda continua crescendo, os caçadores estão caçando outro gato grande para os ossos e a pele: o leão. Ao longo dos últimos 50 anos, o número de leões silvestres na África diminuiu de mais de 200.000 para menos de 20.000 atualmente.

Na China, os ossos de leão são embebidos em vinho de arroz, no Vietnã e no Laos os ossos são transformados em uma pasta com ervas e usados para tratar uma variedade de doenças.

Especialmente na África do Sul, país que fornece uma grande quantidade de ossos de leões ao Laos, Vietnã e China, o comércio envolve criadores de leões e caçadores (principalmente dos Estados Unidos). Ossos de leão estão sendo vendidos por cerca de 165 dólares o quilo na África do Sul e a cerca de 300 – 500 dólares na Ásia. Dessa forma, um esqueleto de leão inteiro poderia valer mais do que 10.000 dólares. Na África do Sul, em 2012, mais de 600 leões foram mortos por caçadores de troféus, mas de acordo com várias fontes, o mercado legal representa apenas cerca de metade do negócio, a outra metade vem da caça furtiva. Apesar do declínio do número de leões ser bem documentado, ainda existe um considerável estímulo à caça de troféus em alguns países africanos, o que facilita o acobertamento da caça furtiva de leões e estimula a demanda por ossos na Ásia.

Na África ocidental, a situação é ainda pior. É, na verdade, catastrófica. Uma pesquisa de seis anos em 11 países descobriu que um total estimado em apenas 250 leões adultos vivem em menos de um por cento da área historicamente ocupada. Os leões formam apenas quatro populações isoladas: uma no Senegal, duas na Nigéria, e outra na frontera entre Benin, Níger e Burkina Faso. Apenas essa última população possui mais de 50 leões.

 

wildleaks-symbolTIGRE

Há cem anos, a população mundial de tigres atingiu 100.000. Atualmente, há apenas 3.200 tigres em estado silvestre. Perdemos 97% da população mundial de tigres em apenas um século.

Os tigres vivem em 13 países: Índia, China, Camboja, Tailândia, Malásia, Vietnã, Indonésia, Nepal, Butão, Mianmar, Laos, Bangladesh e Rússia. A Índia tem o maior número, cerca de 1.700 tigres, que representam a metade da população mundial de tigres. Em muitos desses países a caça ilegal e o desmatamento está forçando rápidamente a extinção do tigre.

Em 1978, Sumatra, na Indonésia, possuia mais de 1.000 tigres. Seus números caíram para cerca de 400 e os caçadores furtivos matam pelo menos 40 tigres por ano. Em pelo menos um parque nacional da Indonésia, houve um aumento de mais de 50% nas armadilhas deixadas por caçadores furtivos ao longo do ano passado.

Há apenas cerca de 450 tigres Amur (siberianos) em estado silvestre, e a maioria vive no extremo oriente da Rússia. A caça furtiva contribuiu para seu estado de perigo crítico de extinção e é impulsionada pela demanda de ossos de tigre e outras partes do corpo para seu uso na “medicina” chinesa. A exploração madeireira ilegal também é outra grande ameaça para os tigres de Amur. Em 2012-2013, as autoridades russas processaram penalmente em sete casos, caçadores furtivos e comerciantes e confiscou esqueletos e partes do corpo de pelo menos 19 tigres.

 

 

Illegal Looging - EALEXTRAÇÃO ILEGAL DE MADEIRA

Os impactos da extração ilegal de madeira variam muito, dependendo da magnitude e do tipo de atividade ilegal.

Uma pesquisa realizada pela Chatham House (Lawson & MacFaul 2010) concluiu que o corte ilegal representa entre 35-72% da atividade madeireira na Amazônia brasileira, 22-35% em Camarões, 59-65% em Gana, 40-61% na Indonésia e 14-25% na Malásia. Extrapolando estes números, estima-se que mais de 100 milhões de metros cúbicos de madeira são extraídos ilegalmente a cada ano.

Alguns relatórios estimam o valor do comércio ilegal em até 17 bilhões de dólares apenas no leste do pacífico asiático, enquanto em Moçambique, o Estado perdeu, em 2012, mais de 20 milhões de dólares em taxas que não foram pagas sobre exportações para a China.

A exploração madeireira ilegal cria conflitos sociais com as populações indígenas e locais e leva à violência, ao crime, à corrupção, à exploração humana e a abusos dos direitos humanos. Estima-se que cerca de 1,6 bilhão de pessoas no mundo dependam das florestas para seu sustento e 60 milhões de pessoas dependam das florestas para sua subsistência.

Mas os problemas não são apenas na África, Ásia ou América do Sul. De acordo com várias fontes, empresas norte-americanas e trabalhadores norte-americanos perdem cerca de 1 bilhão de dólares por ano, devido à entrada de madeira ilegal em mercados do Estados Unidos.

 

 

fanc-lynxCAÇA ILEGAL DE GRANDES PREDADORES NA FINLÂNDIA

Apesar da caça licenciada ser permitida na Finlândia, dezenas de grandes predadores são mortos ilegalmente a cada ano. Especialmente no caso dos lobos, a caça ilegal provoca um abate ainda maior do que a caça legítima. Na região de criação de renas, o abate ilegal de lobos geralmente é feito por proprietários de renas e mais ao sul por caçadores. Somente em casos excepcionais é que aqueles que caçam grandes predadores não pertencem a nenhum destes dois grupos.

As razões mais comuns para matar ilegalmente grandes predadores são os danos que causam às renas e cães, no caso dos ursos, o valor monetário da presa, a concorrência pelos mesmos animais de presa (alces europeus e veados), busca de emoção, desafio ao estado e à UE, bem como o medo. Matar lobos ilegalmente, por exemplo, é considerado aceitável em muitos lugares, porque eles são percebidos como ameaças à segurança das pessoas, especialmente das crianças.

Lobos. Estima-se que 20-30 lobos são caçados na Finlândia a cada ano. A população de lobos caiu de cerca de 250 para menos de 150 no inverno de 2006-2007, em grande parte devido à caça furtiva. A caça furtiva de lobos é possível porque alguns caçadores acham-na aceitável e um grupo de caça pode incluir uma dúzia de membros, ou mais.

Lobos são caçados principalmente no inverno, quando as suas pegadas na neve tornam possível encontrá-los e cercá-los. Anteriormente, os lobos também eram caçados em conjunto com a caça licenciada, em que uma alcateia inteira (4-7 animais) poderia ser dizimada, embora as licenças tivessem sido concedidas para matar apenas 1-2. Muitos caçadores costumavam ter um ditado: “Essa última autorização nunca é utilizada”. Há um ódio extremado de lobos na Finlândia, resultando em uma atitude de que eles devem ser destruídos por qualquer meio necessário. Assim, iscas misturadas com veneno, ou contendo espuma de plástico e ganchos são colocadas no terreno e provocam uma morte lenta quando engolidas por um lobo.

Ursos. Na região de criação de renas, os ursos são caçados na primavera, quando eles acordam da hibernação. A maioria dos caçadores ilegais apreendidos são donos de renas. Ao sul da região de criação de renas, há uma ligação entre a caça furtiva de ursos e a legalizada. A caça pode envolver o uso de carniça ilegal ou o urso é outra forma ilegalmente atraído para onde os caçadores querem que ele esteja.

Os ursos também são capturados utilizando gaiolas e armadilhas ilegais. Eles são ocasionalmente filmados em suas tocas de inverno, depois da época de caça terminar. No entanto, a caça furtiva de ursos é mais difícil porque os caçadores observam uns aos outros. Isso é porque um urso é um animal de rapina cobiçado e valioso. Várias dezenas de ursos são caçadas a cada ano, algo que pode explicar por que a propagação das ursas tem sido tão lenta em partes do oeste e centro do país.

Glutões. Os glutões causam mais danos aos rebanhos de renas do que todos os outros grandes predadores juntos. De fato, a matança ilegal desses animais acontece quase que exclusivamente na região de criação de renas, enquanto a neve cobre o chão. A carcaça de um glutão que foi morto não é necessariamente removida, mas em vez disso é baleada e enterrada na neve ou atropelada com um snowmobile. Assassinatos de glutões raramente vêm à luz ao sul da região de criação de renas. A perseguição ilegal dos glutões teve um impacto negativo sobre o crescimento lento da população e distribuição geográfica da espécie. Várias dezenas de glutões são mortas ilegalmente a cada ano.

Linces. a caça furtiva de linces é uma ocorrência aleatória e apenas alguns casos individuais vieram à luz a cada ano. Estes animais são mortos ilegalmente principalmente na região de criação de renas. A caça furtiva não tem tido um impacto significativo sobre o crescimento da população de linces. Crédito da foto: The Finnish Association for Nature Conservation (FANC)

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